É impossível ignorar a despedida de Lionel Messi da seleção argentina. O mundo do futebol se curva diante de um jogador que, na minha avaliação, é quem mais se aproxima de Pelé e Maradona, os dois maiores da história. Oito Bolas de Ouro, uma Copa do Mundo e uma coleção extraordinária de títulos ajudam a explicar essa reverência. Mas a grandeza de Messi não cabe numa sala de troféus.
Seu talento é uma bênção de Deus. Sustentá-lo por tanto tempo, porém, exigiu disciplina, dedicação e uma capacidade excepcional de atravessar gerações sem perder a relevância. Messi quase não sofreu lesões e construiu uma longevidade rara. E sua postura habitualmente discreta ajudou a manter o futebol no centro de sua história. O extraordinário virou rotina nos pés desse argentino.
O contraste com Cristiano Ronaldo, seu grande rival, é inevitável. Enquanto Messi recebe homenagens, o português se desgasta num bate-boca desnecessário com Jorge Jesus. Para mim, Cristiano parece resistir àquilo que nenhum craque consegue driblar indefinidamente: a passagem do tempo. Saber encerrar um ciclo também é uma demonstração de grandeza.
Pelé deixou a seleção quando ainda tínhamos vontade de vê-lo por muito mais tempo. Messi agora provoca esse mesmo sentimento. Sua despedida deixa saudade, gratidão e uma certeza: alguns jogadores conquistam títulos; pouquíssimos se tornam parte da própria definição do futebol.